“Voltamos do inferno”: corredores amadores da UTMB relatam uma noite infernal

Neve, chuva e sensação térmica de cerca de -7°C são as condições sob as quais 2.300 corredores percorrem os 170 quilômetros da Ultra-Trail du Mont-Blanc (UTMB). No ponto de refresco no Lago Combal, 70 quilômetros após a largada no sábado, os corredores amadores da UTMB carregam as cicatrizes de uma noite infernal.
"Estamos voltando do inferno", diz Loïc Muller, 34, logo cedo pela manhã. Ele participa da principal corrida de montanha pela primeira vez, depois de ter sido voluntário lá alguns anos atrás.
Depois de engolir uma pequena xícara de chá e passar alguns minutos sentado em um banco de madeira se recuperando, ele parte em direção ao nascer do sol no Vale de Aosta. Restam-lhe 100 quilômetros para percorrer e, se não desistir, uma segunda noite para enfrentar.
Sob a tenda do ponto de refresco, ele está longe de ser o único a fazer caretas ao recomeçar a correr: o local está fervilhando de atividade, muito mais do que quando os corredores de elite passaram por lá sete horas antes. Alguns voluntários distribuem bebidas quentes, frutas, sopas e biscoitos para os corredores cansados. "Foi terrível, já caí cinco vezes", lamenta Maria Vallejo, uma equatoriana de trinta e poucos anos que participa da UTMB com o marido.
O grande vencedor da corrida já chegou. É Tom Evans, um britânico de 33 anos. Ele cruzou a linha de chegada após 19 horas, 18 minutos e 58 segundos de corrida. No entanto, dos 2.300 inscritos, apenas cerca de 100 competidores passarão apenas uma noite nas montanhas. A segunda noite, porém, deve ser um pouco mais amena, de acordo com as previsões.
Em 2024, quando o clima estava bom, 1.000 corredores desistiram.
Serviço de vídeo Le Monde (com AFP)
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